A Casa dos Homens

by Coletivo Segunda Opinião

ursocartaz

O espetáculo teatral A Casa dos Homens surge a partir de reflexões do grupo sobre a questão histórica e social da mulher. Em dezembro de 2012, no espaço do Condomínio Cultural Mundo Novo na Vila-Anglo, zona Oeste de São Paulo, uma primeira experiência cênica intitulada Bom Dia, Ruína foi realizada e contava com apenas três atores em cena. À medida que as apresentações desse exercício teatral foram acontecendo, mais pessoas se juntaram ao Coletivo 2ª Opinião e fez-se necessária a ampliação do olhar sobre a temática originalmente escolhida como elemento disparador da encenação. Se em um primeiro momento o grupo elegeu uma personagem feminina para ocupar o protagonismo da ação cênica, em A Casa dos Homens essa individualização se dispersa e a discussão das relações sociais de gênero se dão a partir de figuras coletivas, isto é, personagens cujos aspectos da subjetividade descortinam condicionamentos ligados às práticas sociais e culturais. O Coletivo 2ª Opinião entende que encenar e debater as questões relativas à opressão histórico-social de gênero significa lançar um olhar crítico sobre o Estado patriarcal diretamente ligado à opressiva maquinaria do capital e suas resultantes culturais, na esfera pública e na esfera privada.

A violência física, psicológica e ideológica contra as identidades de gênero que não se encaixam nos sistemas heterossexuais e machistas de comportamento revelam o fortalecimento de uma cultura punitivista e de um Estado regido pelas lógicas do pátrio poder.  Além disso, através da tradução da figura específica da mulher como exemplo de deterioração de gênero, o machismo atinge o universo da infância no qual a gravidade da situação se apresenta ainda mais aguda na medida em que um processo educacional ali se inicia perpetuando lógicas anteriores à experiência da criança no mundo.

Os integrantes do Coletivo 2ª Opinião se dedicaram a estas questões que determinam o universo político e social da mulher, dos homossexuais, travestis e transgêneros na concretude das práticas públicas e privadas. O que é memória e o que é invenção já não pode ser definido. No decorrer das noites nas quais parece impossível descansar, as figuras apresentadas em cena percorrem uma trajetória de embates, esclarecimento e conscientização crítica, de modo a assumir, portanto, o processo de politização de sua visão de mundo e do próprio corpo.

 

Serviço:

7 de setembro a 29 de setembro*Sábados às 22hs e domingos às 19hs* Sede
Luz do Faroeste* Rua do Triunfo – Santa Ifigênia – Centro. Pague quanto puder.

Aos domingos haverá debates com convidadxs depois da peça – confira a programação neste blog e em nossa página no facebook:

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